A importância da PRESENÇA na criação da AUTOCONFIANÇA
- Deivis Tavares

- há 1 dia
- 9 min de leitura

Quantas vezes você já saiu de uma competição, reunião ou conversa importante com a sensação de que não foi realmente você quem esteve ali?
Como se tivesse deixado uma parte sua para trás.
Como se o medo, a pressão, a ansiedade ou a necessidade de aprovação tivessem falado mais alto do que sua verdadeira capacidade.
Talvez esse seja um dos maiores paradoxos da ALTA PERFORMANCE:
Nos momentos em que mais precisamos acessar nossa melhor versão, frequentemente estamos menos presentes.
E sem PRESENÇA, dificilmente existe CONFIANÇA verdadeira.
Neste conteúdo quero falar justamente sobre isso:
A relação profunda entre PRESENÇA e AUTOCONFIANÇA.
Porque, ao contrário do que muitos imaginam, a verdadeira CONFIANÇA não nasce da ausência do medo, do controle absoluto ou da certeza do resultado.
A AUTOCONFIANÇA verdadeira não nasce do controle total, mas da capacidade de permanecer PRESENTE mesmo diante da INCERTEZA.
E aqui vai uma playlist preparada para este conteúdo. Boa Leitura!
[Para acompanhar a letra das músicas, clique na capa ou no nome e em seguida, "Lyrics" no Spotify]
A IMPORTÂNCIA DA PRESENÇA

Amy Cuddy é psicóloga social e ex-professora da Harvard Business School, conhecida principalmente por seus estudos sobre linguagem corporal, comportamento não verbal, auto-percepção e confiança sob pressão.
Grande parte das reflexões deste conteúdo foi inspirada no seu livro "O poder da presença: Como a linguagem corporal pode ajudar você a aumentar sua autoconfiança"
Existe um relato citado em seu livro que considero extremamente significativo:
"Em muitas situações da vida, não sinto que dei tudo de mim… E isso me corrói depois. Fico revivendo aquelas situações repetidamente na cabeça.”
Quem nunca passou por isso?
Em treinos ou competições em que saiu frustrado não apenas pelo resultado, mas pela sensação de não ter acessado realmente tudo aquilo que era capaz de entregar.
Em reuniões de trabalho nas quais você sabia que poderia ter contribuído mais, mas permaneceu em silêncio.
Em conversas familiares nas quais poderia ter se expressado de maneira mais consciente e madura.
E aqui existe uma diferença importante:
Muitas vezes o que mais dói não é ter falhado. É A AUSÊNCIA. É perceber que não estivemos verdadeiramente presentes quando a vida nos chamou.
Sua palestra no TED Talk — Your Body Language Shapes Who You Are — tornou-se uma das mais assistidas da história da plataforma.
COMO CHEGAMOS NESTE ESTADO?
Na maior parte das vezes, estamos excessivamente preocupados com:
O julgamento externo;
O resultado;
A possibilidade de errar;
Aquilo que os outros podem estar pensando sobre nós.
Em vez de estarmos conectados ao processo que está acontecendo no momento presente.
A mente começa a antecipar cenários:
“E se eu fracassar?”
“E se eu decepcionar alguém?”
“E se eu não for suficiente?”
E então deixamos de experimentar plenamente a situação real para viver dentro de projeções mentais.
No esporte isso acontece constantemente.
O atleta deixa de "performar" ao máximo estando presente, porque já está emocionalmente preso:
Ao resultado;
Ao ranking;
À pressão da torcida;
À expectativa externa;
Ao medo do erro.
Quanto maior a pressão, maior tende a ser essa desconexão.
E talvez seja exatamente esse o problema:
Quanto mais precisamos estar presentes, menos propensos estamos a isso.
Não existe a menor chance de nos envolvermos inteiramente naquilo que nos propusermos se estivermos ocupados duvidando de nós mesmos ou dando atenção a nossa mente tagarela que não para de nos avisar de todos os “medos” e “possibilidades” que podem ocorrer, além de estarmos dando atenção a tudo que está acontecendo ao nosso redor e especialmente ao pensarmos que estamos numa situação de alta pressão e de que iremos estragar tudo [DIÁLOGO INTERNO].
UM EXEMPLO REAL SOB PRESSÃO
Recentemente acompanhei ao vivo as finais da Copa do Mundo de Boulder de Escalada Esportiva - World Climbing Series -Comunidad de Madrid 2026
A situação era extremamente intensa:
Último boulder da competição;
Pódio ainda indefinido;
Enorme pressão emocional;
Apenas os melhores atletas do mundo restantes na final.
O japonês Sorato Anraku assumiu momentaneamente a liderança após ter mandado na primeira tentativa o último boulder.
(Assista ao vídeo que gravei da platéia)
Logo depois entrou o francês Samuel Richard.
Independentemente do resultado naquele boulder, sua colocação já estava definida (Terceiro Lugar). Em determinado momento ele olha para seu técnico e recebe a informação de que estava no pódio.
Sua reação foi extremamente humana: mão na cabeça, expressão de incredulidade e emoção intensa.
O público explode em aplausos.
Era seu segundo pódio em Copas do Mundo.
Restava então apenas Colin Duffy. Que até então tinha realizado a melhor competição entre todos, veja o gráfico que coloquei mais abaixo para entender o desempenho dele.
Quem acompanha escalada esportiva sabe: aquele estilo de boulder estava claramente dentro do repertório técnico e físico do atleta americano.
E ainda assim, aconteceu algo que parecia diferente, inesperado.
Veja o vídeo da performance do atleta americano que gravei da platéia e se quiser a partir do minuto 00:12 do vídeo abaixo, todas as tentativas [Se ele tivesse mandando em menos de 5 tentativas, seria campeão]

Pode ter existido fadiga física?
Sem dúvida.
Pode ter existido desgaste emocional?
Também.
Performance humana nunca depende de um único fator.
Mas observar situações como essa nos lembra algo importante:
Competir sob pressão extrema é uma habilidade treinável.
Uma coisa é certa, não ter conseguido gerenciar adequadamente a “pressão” externa nestas circunstâncias passa longe de ser um demérito, passa sim por algo treinável e que poucos atletas realmente terão a oportunidade de vivenciar e experienciar, mas todos deveriam treinar.
Gerenciar o DIÁLOGO INTERNO, manter presença e continuar funcional emocionalmente em ambientes de alta exigência não é sinal de fraqueza ou força moral.
É treinamento.
É experiência.
É adaptação emocional.
Inclusive, já escrevemos aqui no MYB sobre o impacto do DIÁLOGO INTERNO na ALTA PERFORMANCE: Vale muito a pena a leitura deste conteúdo. Acesse aqui ou clique na imagem:
A SABEDORIA DA INSEGURANÇA
Outro livro que considero extremamente relevante para este tema é “A Sabedoria da Insegurança - Como sobreviver na era da ansiedade”, de Alan Watts.
Watts apresenta uma ideia profundamente provocadora:
A tentativa obsessiva de encontrar segurança absoluta é justamente uma das principais causas da ansiedade humana.
Segundo o autor, a busca por segurança absoluta é, paradoxalmente, a principal causa da insegurança. Watts argumenta que tentamos nos agarrar a certezas — sejam elas financeiras, emocionais, resultados ou filosóficas — mas a própria natureza da vida é MUDANÇA e IMPERMANÊNCIA. Assim, ao buscar garantias, criamos ANSIEDADE, porque sabemos, no fundo, que não há nada completamente ESTÁVEL.
TENTAMOS CONTROLAR:
RESULTADOS;
EMOÇÕES;
FUTURO;
RECONHECIMENTO;
ESTABILIDADE;
PERCEPÇÃO DOS OUTROS.
Mas a vida é, por natureza, INSTÁVEL.
TUDO MUDA.
TUDO SE TRANSFORMA.
E quanto mais tentamos eliminar completamente a incerteza, mais ansiosos nos tornamos.
Quando aplicamos isso ao conceito de confiança, Watts surge um insight poderoso:
A verdadeira confiança não nasce da eliminação da insegurança. Ela nasce da capacidade de continuar agindo apesar dela.
Isso muda completamente a maneira como enxergamos AUTOCONFIANÇA.
CONFIANÇA NÃO É:
Ausência de medo;
Garantia de sucesso;
Controle absoluto.
No contexto da performance esportiva ou de qualquer outro desafio (nos negócios, no trabalho, pessoais, em nossas famílias), isso implica que o indivíduo não deve buscar segurança total (como garantir que nunca falhará ou que sempre terá controle sobre tudo), mas sim, se familiarizar com a incerteza e AGIR com PRESENÇA TOTAL no momento, sem a necessidade de garantias.
CONFIANÇA é permanecer presente mesmo sem garantias.
OS ELEMENTOS DA PRESENÇA
Amy Cuddy, em seu livro O Poder da Presença, descreve a PRESENÇA como um estado em que nossos PENSAMENTOS, SENTIMENTOS e COMPORTAMENTOS estão alinhados, permitindo que expressemos nosso verdadeiro EU com CONFIANÇA e AUTENTICIDADE.
Ela identifica alguns elementos fundamentais que compõem esse estado de presença:
1. AUTENTICIDADE
Estar verdadeiramente conectado com quem você é, sem tentar impressionar ou manipular a percepção dos outros.
Isso significa agir de acordo com seus valores e crenças, sem ser dominado pelo medo da rejeição ou da avaliação externa.
2. CONFIANÇA SEM ARROGÂNCIA
A presença não vem da tentativa de parecer superior, mas da segurança interna em suas próprias capacidades.
Cuddy enfatiza que a verdadeira confiança vem da preparação e do reconhecimento de suas próprias forças, e não da necessidade de validação externa.
TREINE DELIBERADAMENTE QUE A SUA CONFIANÇA VAI AUMENTAR
3. ABERTURA CORPORAL E LINGUAGEM NÃO VERBAL
O corpo influencia a mente tanto quanto a mente influencia o corpo.
Adotar posturas expansivas e abertas (como as “power poses”) pode aumentar a sensação de autoconfiança e reduzir a ansiedade antes de momentos desafiadores.
Em breve quero trazer um conteúdo importante sobre as “power poses” para avançarmos nesta questão da LINGUAGEM CORPORAL
4. ATENÇÃO PLENA (Mindfulness)
Estar totalmente presente no momento, sem se deixar levar por pensamentos sobre o passado ou o futuro.
Isso ajuda a reduzir a autocrítica e a ansiedade, permitindo um desempenho mais autêntico e natural.
Falaremos muito deste conceito da Atenção Plena (Mindfulness) ao longo dos nossos conteúdos. Seu conceito se fundamenta na capacidade de passarmos pela nossa vida com a atenção cristalina e de habitar plenamente nossa existência. Este conceito foi popularizado no ocidente pelo filósofo britânico Alan Watts que mencionei no livro acima, onde o mesmo alega que:
“… a raiz da frustração humana e da ansiedade diária está em nossa tendência de viver para o futuro, que é uma abstração…”
“nossa forma básica de renunciar a presença é abandonando o corpo e nos refugiando na mente - este caldeirão fervilhante eternamente calculista e autocrítico de pensamentos, previsões, ansiedades e julgamentos incessantes sobre a experiência de sí”.
Alan Watts
5. AJUSTE ENTRE INTERIOR E EXTERIOR
Quando há congruência entre o que sentimos, pensamos e expressamos, transmitimos uma energia de credibilidade e liderança.
Esse alinhamento reduz a sensação de falsidade ou de “síndrome do impostor”, aumentando a sensação de controle e pertencimento.
Em breve vamos colocar um conteúdo somente sobre este importante tema da SÍNDROME DO IMPOSTOR. Fique atento!
6. ACEITAÇÃO DA VULNERABILIDADE
A presença não exige perfeição, mas sim aceitação da imperfeição.
A disposição para se expor sem medo excessivo de falhar fortalece a autenticidade e a resiliência.
Caso você deseje se aprofundar especificamente sobre o tema da VULNERABILIDADE, sugiro imergir no conteúdo da pesquisadora Brené Brow:
A Palestra TED: "O poder da vulnerabilidade" (2010)
Esta é a famosa apresentação de 20 minutos gravada no TEDxHouston que mudou a carreira de Brené Brown e deu início a toda essa conversa global sobre o tema da Vulnerabilidade. É emocionante, engraçada e muito profunda.
Onde assistir: Você pode assistir diretamente na plataforma oficial do TED ou no canal deles no YouTube. O vídeo conta com legendas e tradução em português. Link disponível aqui ou logo abaixo.
Link oficial: Você encontra a palestra completa com as opções de legenda na Página Oficial da Brené Brown no TED.
Minha sugestão, direta e prática e nesta ordem:
Assista a Palestra acima no TED/Youtube: “O Poder da Vulnerabilidade” (2010)
Leia o livro: “A Coragem de Ser Imperfeito” (2012)
Assista o documentário “The Call to Courage” (2019) na Netflix
APLICAÇÃO PARA O CONTEXTO ESPORTIVO E PROFISSIONAL
Tudo isso possui aplicações extremamente práticas.
NO ESPORTE:
Melhora a capacidade de competir sob pressão;
Reduz o impacto do diálogo interno destrutivo;
Aumenta presença durante execução.
NOS NEGÓCIOS:
Melhora comunicação;
Tomada de decisão;
Liderança;
Clareza emocional.
NA FAMÍLIA:
Aumenta escuta;
Consciência emocional;
Qualidade das relações.
A postura corporal, o foco no momento presente e a aceitação da incerteza são estratégias essenciais para melhorar a performance sob pressão. Ao invés de buscar controle absoluto, a ideia é cultivar um estado de presença genuína, onde a mente e o corpo operam em sincronia para maximizar o desempenho.
A verdadeira presença não elimina a pressão. Ela nos permite continuar funcionais apesar dela.
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PARA GERAR CONSCIÊNCIA
Quero deixar aqui algumas perguntas para reflexão:
1. AUTENTICIDADE
Em quais momentos da minha vida eu sinto que estou sendo meu eu mais autêntico?
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2. CONFIANÇA
De onde vem minha confiança: Minha confiança está baseada em validação externa ou em preparação real?
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3. LINGUAGEM CORPORAL
Como minha postura influencia meu estado emocional antes de situações importantes?
O que posso ajustar para aumentar minha presença e segurança?
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4. PRESENÇA | ATENÇÃO PLENA (Mindfulness)
O que normalmente me afasta do momento presente durante desafios importantes?
Como posso fortalecer minha capacidade de me manter totalmente presente e focado?
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5. VULNERABILIDADE
Como eu lido com a possibilidade de falhar: Estou permitindo que o medo do julgamento limite minha capacidade de agir?
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CONCLUSÃO
Talvez a verdadeira AUTOCONFIANÇA não seja acreditar que venceremos sempre. Talvez ela seja a capacidade de PERMANECER INTEIROS mesmo diante da INCERTEZA. De continuar PRESENTES quando a mente quiser fugir. De AGIR apesar do medo.
Aceitar que não controlamos completamente o resultado, mas ainda assim entregar honestamente tudo aquilo que somos capazes de oferecer naquele momento.
Porque no fim, muitas vezes o que mais nos corrói não é a derrota...
...é perceber que não estivemos verdadeiramente presentes quando a vida nos chamou.
FONTES DESTA PUBLICAÇÃO
LIVROS
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CONTEÚDOS ADICIONAIS
YOUR BODY LANGUAGE SHAPES WHO YOU ARE - TED Talks [Amy Cuddy]
O PODER DA VULNERABILIDADE - TED Talks [Brené Brown]
THE CALL TO COURAGE - Documentário NETFLIX
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