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A importância da PRESENÇA na criação da AUTOCONFIANÇA





Atleta Amanda Criscuoli - Campeonato Brasileiro Juvenil de Boulder (2024) - Escalando com platéia ao fundo
Atleta Amanda Criscuoli - Campeonato Brasileiro Juvenil de Boulder (2024) - [Ali Machado - ABEE]

Quantas vezes você já saiu de uma competição, reunião ou conversa importante com a sensação de que não foi realmente você quem esteve ali?


Como se tivesse deixado uma parte sua para trás.


Como se o medo, a pressão, a ansiedade ou a necessidade de aprovação tivessem falado mais alto do que sua verdadeira capacidade.


Talvez esse seja um dos maiores paradoxos da ALTA PERFORMANCE:


Nos momentos em que mais precisamos acessar nossa melhor versão, frequentemente estamos menos presentes.

E sem PRESENÇA, dificilmente existe CONFIANÇA verdadeira.


Neste conteúdo quero falar justamente sobre isso:

A relação profunda entre PRESENÇA e AUTOCONFIANÇA.


Porque, ao contrário do que muitos imaginam, a verdadeira CONFIANÇA não nasce da ausência do medo, do controle absoluto ou da certeza do resultado.


A AUTOCONFIANÇA verdadeira não nasce do controle total, mas da capacidade de permanecer PRESENTE mesmo diante da INCERTEZA.

E aqui vai uma playlist preparada para este conteúdo. Boa Leitura!

[Para acompanhar a letra das músicas, clique na capa ou no nome e em seguida, "Lyrics" no Spotify]



A IMPORTÂNCIA DA PRESENÇA

Imagens da escritora Amy Cuddy e seu livro "Presence: Bringing Your Boldest Self to Your Biggest Challenges - Fonte https://www.amycuddy.com/
Amy Cuddy e seu livro "Presence: Bringing Your Boldest Self to Your Biggest Challenges [Fonte https://www.amycuddy.com/]

Capa do livro Livro "O poder da presença: Como a linguagem corporal pode ajudar você a aumentar sua autoconfiança" | Presence: Bringing Your Boldest Self to Your Biggest Challenges em Inglês

Amy Cuddy é psicóloga social e ex-professora da Harvard Business School, conhecida principalmente por seus estudos sobre linguagem corporal, comportamento não verbal, auto-percepção e confiança sob pressão.


Grande parte das reflexões deste conteúdo foi inspirada no seu livro "O poder da presença: Como a linguagem corporal pode ajudar você a aumentar sua autoconfiança"


Existe um relato citado em seu livro que considero extremamente significativo:


"Em muitas situações da vida, não sinto que dei tudo de mim… E isso me corrói depois. Fico revivendo aquelas situações repetidamente na cabeça.”

Quem nunca passou por isso?


  • Em treinos ou competições em que saiu frustrado não apenas pelo resultado, mas pela sensação de não ter acessado realmente tudo aquilo que era capaz de entregar.

  • Em reuniões de trabalho nas quais você sabia que poderia ter contribuído mais, mas permaneceu em silêncio.

  • Em conversas familiares nas quais poderia ter se expressado de maneira mais consciente e madura.


E aqui existe uma diferença importante:


Muitas vezes o que mais dói não é ter falhado. É A AUSÊNCIA. É perceber que não estivemos verdadeiramente presentes quando a vida nos chamou.

Sua palestra no TED Talk — Your Body Language Shapes Who You Are — tornou-se uma das mais assistidas da história da plataforma.


COMO CHEGAMOS NESTE ESTADO?

Na maior parte das vezes, estamos excessivamente preocupados com:


  • O julgamento externo;

  • O resultado;

  • A possibilidade de errar;

  • Aquilo que os outros podem estar pensando sobre nós.


Em vez de estarmos conectados ao processo que está acontecendo no momento presente.

A mente começa a antecipar cenários:


“E se eu fracassar?”

“E se eu decepcionar alguém?”

“E se eu não for suficiente?”


E então deixamos de experimentar plenamente a situação real para viver dentro de projeções mentais.

No esporte isso acontece constantemente.


O atleta deixa de "performar" ao máximo estando presente, porque já está emocionalmente preso:


  • Ao resultado;

  • Ao ranking;

  • À pressão da torcida;

  • À expectativa externa;

  • Ao medo do erro.


Quanto maior a pressão, maior tende a ser essa desconexão.

E talvez seja exatamente esse o problema:


Quanto mais precisamos estar presentes, menos propensos estamos a isso.

Não existe a menor chance de nos envolvermos inteiramente naquilo que nos propusermos se estivermos ocupados duvidando de nós mesmos ou dando atenção a nossa mente tagarela que não para de nos avisar de todos os “medos” e “possibilidades” que podem ocorrer, além de estarmos dando atenção a tudo que está acontecendo ao nosso redor e especialmente ao pensarmos que estamos numa situação de alta pressão e de que iremos estragar tudo [DIÁLOGO INTERNO].



UM EXEMPLO REAL SOB PRESSÃO


A situação era extremamente intensa:


  • Último boulder da competição;

  • Pódio ainda indefinido;

  • Enorme pressão emocional;

  • Apenas os melhores atletas do mundo restantes na final.


O japonês Sorato Anraku assumiu momentaneamente a liderança após ter mandado na primeira tentativa o último boulder.



(Assista ao vídeo que gravei da platéia)






Logo depois entrou o francês Samuel Richard.


Independentemente do resultado naquele boulder, sua colocação já estava definida (Terceiro Lugar). Em determinado momento ele olha para seu técnico e recebe a informação de que estava no pódio.


Sua reação foi extremamente humana: mão na cabeça, expressão de incredulidade e emoção intensa.


O público explode em aplausos.


Era seu segundo pódio em Copas do Mundo.


Restava então apenas Colin Duffy. Que até então tinha realizado a melhor competição entre todos, veja o gráfico que coloquei mais abaixo para entender o desempenho dele.


Quem acompanha escalada esportiva sabe: aquele estilo de boulder estava claramente dentro do repertório técnico e físico do atleta americano.


E ainda assim, aconteceu algo que parecia diferente, inesperado.

Veja o vídeo da performance do atleta americano que gravei da platéia e se quiser a partir do minuto 00:12 do vídeo abaixo, todas as tentativas [Se ele tivesse mandando em menos de 5 tentativas, seria campeão]



Recorte do Gráfico do Ranking da Final Masculina de Boulder - World Climbing Series - Comunidad de Madrid 2026
Resultado final [Fonte World Climbing]

Pode ter existido fadiga física?

Sem dúvida.


Pode ter existido desgaste emocional?

Também.



Performance humana nunca depende de um único fator.


Mas observar situações como essa nos lembra algo importante:


Competir sob pressão extrema é uma habilidade treinável.

Uma coisa é certa, não ter conseguido gerenciar adequadamente a “pressão” externa nestas circunstâncias passa longe de ser um demérito, passa sim por algo treinável e que poucos atletas realmente terão a oportunidade de vivenciar e experienciar, mas todos deveriam treinar.


Gerenciar o DIÁLOGO INTERNO, manter presença e continuar funcional emocionalmente em ambientes de alta exigência não é sinal de fraqueza ou força moral.


É treinamento.


É experiência.


É adaptação emocional.


Inclusive, já escrevemos aqui no MYB sobre o impacto do DIÁLOGO INTERNO na ALTA PERFORMANCE: Vale muito a pena a leitura deste conteúdo. Acesse aqui ou clique na imagem:


Imagem pequena do post: Alta Performance para Atletas - O Diálogo Interno do portal Mind Your Best


A SABEDORIA DA INSEGURANÇA

Capa do livro:  “A Sabedoria da Insegurança - Como sobreviver na era da ansiedade”, de Alan Watts.

Outro livro que considero extremamente relevante para este tema é A Sabedoria da Insegurança - Como sobreviver na era da ansiedade, de Alan Watts.


Watts apresenta uma ideia profundamente provocadora:


A tentativa obsessiva de encontrar segurança absoluta é justamente uma das principais causas da ansiedade humana.

Segundo o autor, a busca por segurança absoluta é, paradoxalmente, a principal causa da insegurança. Watts argumenta que tentamos nos agarrar a certezas — sejam elas financeiras, emocionais, resultados ou filosóficas — mas a própria natureza da vida é MUDANÇA e IMPERMANÊNCIA. Assim, ao buscar garantias, criamos ANSIEDADE, porque sabemos, no fundo, que não há nada completamente ESTÁVEL.


TENTAMOS CONTROLAR:


  • RESULTADOS;

  • EMOÇÕES;

  • FUTURO;

  • RECONHECIMENTO;

  • ESTABILIDADE;

  • PERCEPÇÃO DOS OUTROS.


Mas a vida é, por natureza, INSTÁVEL.


TUDO MUDA.


TUDO SE TRANSFORMA.


E quanto mais tentamos eliminar completamente a incerteza, mais ansiosos nos tornamos.


Quando aplicamos isso ao conceito de confiança, Watts surge um insight poderoso:


A verdadeira confiança não nasce da eliminação da insegurança.  Ela nasce da capacidade de continuar agindo apesar dela.

Isso muda completamente a maneira como enxergamos AUTOCONFIANÇA.


CONFIANÇA NÃO É:


  • Ausência de medo;

  • Garantia de sucesso;

  • Controle absoluto.


No contexto da performance esportiva ou de qualquer outro desafio (nos negócios, no trabalho, pessoais, em nossas famílias), isso implica que o indivíduo não deve buscar segurança total (como garantir que nunca falhará ou que sempre terá controle sobre tudo), mas sim, se familiarizar com a incerteza e AGIR com PRESENÇA TOTAL no momento, sem a necessidade de garantias.


CONFIANÇA é permanecer presente mesmo sem garantias.

OS ELEMENTOS DA PRESENÇA

Amy Cuddy, em seu livro O Poder da Presença, descreve a PRESENÇA como um estado em que nossos PENSAMENTOS, SENTIMENTOS e COMPORTAMENTOS estão alinhados, permitindo que expressemos nosso verdadeiro EU com CONFIANÇA e AUTENTICIDADE.


Ela identifica alguns elementos fundamentais que compõem esse estado de presença:


1. AUTENTICIDADE

  • Estar verdadeiramente conectado com quem você é, sem tentar impressionar ou manipular a percepção dos outros.

  • Isso significa agir de acordo com seus valores e crenças, sem ser dominado pelo medo da rejeição ou da avaliação externa.


2. CONFIANÇA SEM ARROGÂNCIA

  • A presença não vem da tentativa de parecer superior, mas da segurança interna em suas próprias capacidades.

  • Cuddy enfatiza que a verdadeira confiança vem da preparação e do reconhecimento de suas próprias forças, e não da necessidade de validação externa.


TREINE DELIBERADAMENTE QUE A SUA CONFIANÇA VAI AUMENTAR

3. ABERTURA CORPORAL E LINGUAGEM NÃO VERBAL

  • O corpo influencia a mente tanto quanto a mente influencia o corpo.

  • Adotar posturas expansivas e abertas (como as “power poses”) pode aumentar a sensação de autoconfiança e reduzir a ansiedade antes de momentos desafiadores.


Em breve quero trazer um conteúdo importante sobre as “power poses” para avançarmos nesta questão da LINGUAGEM CORPORAL


4. ATENÇÃO PLENA (Mindfulness)

  • Estar totalmente presente no momento, sem se deixar levar por pensamentos sobre o passado ou o futuro.

  • Isso ajuda a reduzir a autocrítica e a ansiedade, permitindo um desempenho mais autêntico e natural.


Falaremos muito deste conceito da Atenção Plena (Mindfulness) ao longo dos nossos conteúdos. Seu conceito se fundamenta na capacidade de passarmos pela nossa vida com a atenção cristalina e de habitar plenamente nossa existência. Este conceito foi popularizado no ocidente pelo filósofo britânico Alan Watts que mencionei no livro acima, onde o mesmo alega que:


“… a raiz da frustração humana e da ansiedade diária está em nossa tendência de viver para o futuro, que é uma abstração…”

“nossa forma básica de renunciar a presença é abandonando o corpo e nos refugiando na mente - este caldeirão fervilhante eternamente calculista e autocrítico de pensamentos, previsões, ansiedades e julgamentos incessantes sobre a experiência de sí”.

Alan Watts


5. AJUSTE ENTRE INTERIOR E EXTERIOR

  • Quando há congruência entre o que sentimos, pensamos e expressamos, transmitimos uma energia de credibilidade e liderança.

  • Esse alinhamento reduz a sensação de falsidade ou de “síndrome do impostor”, aumentando a sensação de controle e pertencimento.


Em breve vamos colocar um conteúdo somente sobre este importante tema da SÍNDROME DO IMPOSTOR. Fique atento!


6. ACEITAÇÃO DA VULNERABILIDADE

  • A presença não exige perfeição, mas sim aceitação da imperfeição.

  • A disposição para se expor sem medo excessivo de falhar fortalece a autenticidade e a resiliência.


Caso você deseje se aprofundar especificamente sobre o tema da VULNERABILIDADE, sugiro imergir no conteúdo da pesquisadora Brené Brow:


Imagem da página oficial da pesquisadora Brené Brown no Portal TED

A Palestra TED: "O poder da vulnerabilidade" (2010)

Esta é a famosa apresentação de 20 minutos gravada no TEDxHouston que mudou a carreira de Brené Brown e deu início a toda essa conversa global sobre o tema da Vulnerabilidade. É emocionante, engraçada e muito profunda.








Minha sugestão, direta e prática e nesta ordem:



APLICAÇÃO PARA O CONTEXTO ESPORTIVO E PROFISSIONAL

Tudo isso possui aplicações extremamente práticas.


NO ESPORTE:


  • Melhora a capacidade de competir sob pressão;

  • Reduz o impacto do diálogo interno destrutivo;

  • Aumenta presença durante execução.


NOS NEGÓCIOS:


  • Melhora comunicação;

  • Tomada de decisão;

  • Liderança;

  • Clareza emocional.


NA FAMÍLIA:


  • Aumenta escuta;

  • Consciência emocional;

  • Qualidade das relações.


A postura corporal, o foco no momento presente e a aceitação da incerteza são estratégias essenciais para melhorar a performance sob pressão. Ao invés de buscar controle absoluto, a ideia é cultivar um estado de presença genuína, onde a mente e o corpo operam em sincronia para maximizar o desempenho.


A verdadeira presença não elimina a pressão. Ela nos permite continuar funcionais apesar dela.


PARA GERAR CONSCIÊNCIA

Quero deixar aqui algumas perguntas para reflexão:


1. AUTENTICIDADE


Em quais momentos da minha vida eu sinto que estou sendo meu eu mais autêntico?


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2. CONFIANÇA


De onde vem minha confiança: Minha confiança está baseada em validação externa ou em preparação real?


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3. LINGUAGEM CORPORAL


Como minha postura influencia meu estado emocional antes de situações importantes?

O que posso ajustar para aumentar minha presença e segurança?


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4. PRESENÇA | ATENÇÃO PLENA (Mindfulness)


O que normalmente me afasta do momento presente durante desafios importantes?

Como posso fortalecer minha capacidade de me manter totalmente presente e focado?


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5. VULNERABILIDADE


Como eu lido com a possibilidade de falhar: Estou permitindo que o medo do julgamento limite minha capacidade de agir?


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CONCLUSÃO

Talvez a verdadeira AUTOCONFIANÇA não seja acreditar que venceremos sempre. Talvez ela seja a capacidade de PERMANECER INTEIROS mesmo diante da INCERTEZA. De continuar PRESENTES quando a mente quiser fugir. De AGIR apesar do medo.

Aceitar que não controlamos completamente o resultado, mas ainda assim entregar honestamente tudo aquilo que somos capazes de oferecer naquele momento.


Porque no fim, muitas vezes o que mais nos corrói não é a derrota...


...é perceber que não estivemos verdadeiramente presentes quando a vida nos chamou.

[Configure as legendas do YouTube para auxilia na tradução, caso seja necessário]



FONTES DESTA PUBLICAÇÃO

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